Indicado pela minha amiga Zilda do Blog Somos todos aprendizes

Trajetos De Uma Estrada

Trajetos De Uma Estrada
Esse é o meu primeiro livro (Trajetos De Uma Estrada)

terça-feira, 20 de abril de 2010

O homem e o tempo extinguem

A árvore não é mais aquela,
entanguiu, regrediu muchou.
O passarinho que cantava para mim,
desistiu, bateu asas e voou.

O cachorro que latia a me ver,
ficou velho vive encostado à parede.
Não encontro a bica e o olho d’ água,
onde no verão eu saciava minha sede.

O riacho onde eu ouvia a cachoeira,
foi extinto, virou um caminho de pedras.
A areia que só existia no caminho,
está em todo o canto, só se passa se a ela arreda.

O que era sombra está virando descampado,
a solidão, o vazio, o deserto...
Sou testemunha dessa destruição desenfreada,
preferiria não ser, nem estar por perto.

A jaqueira que matava minha fome,
a cigarra que cantava suas trilhas.
O zebu que bebia na beira do rio,
não percebo mais todas essas maravilhas.

Voltar aqui me fez um corte por dentro,
destruiu o verde da minha alma.
Borrou o quadro que eu pintei na infância,
é céu sem azul, olhos sem íris, mãos sem palma...

Mariano P. Sousa

4 comentários:

Majoli disse...

Oi meu amigo, que linda e triste poesia.

Como é difícil conviver com tudo a nossa volta a se corroer, dói por demais.

Ainda bem que temos guardado na lembrança a infância por nós vivida, onde tudo era belo.

Beijos meu querido amigo.

Dora Regina disse...

Mariano, um poema triste com uma dura realidade.
Aproveitemos o nosso tempo, ele passa tão rápido, depois vamos viver só de lembranças.
Grande abraço!

Antonio Campos disse...

Poeta Mariano feliz de você que pode exprimir em versos toda uma saudade.Falas da visita a um local que conhecestes na infância. O progresso acaba com muitas lembranças meu amigo. Resta-nos sempre a lembrança e a imagem gravada na retina.

Mariano P. Sousa disse...

Carinhosos abraços aos amigos:
Antônio campos, Dora e Majoli!
Obrigadão pela visita e gratificantes comentários!